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O Décimo Dia do Sétimo Mês Um dia de Sábado. Devemos Presumir Qual Calendário Deus Quis Dizer

O Décimo Dia do Sétimo Mês: Um dia de Sábado. Devemos Presumir Qual Calendário Deus Quis Dizer?

Levítico 23: 26-32

26 E falou o Senhor a Moisés, dizendo: 27 “Também aos dez dias deste sétimo mês será o Dia da Expiação. Terá santa convocação para vós; e afligireis as vossas almas, e oferecereis oferta queimada ao Senhor. 28 E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o Dia da Expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso Deus. 29 Porque toda alma que naquele mesmo dia se não afligir em alma será extirpada do seu povo. 30 Também toda alma que naquele mesmo dia fizer algum trabalho, eu a tal alma destruirei do meio do seu povo. 31 Nenhum trabalho fareis; estatuto perpétuo será pelas vossas gerações em todas as vossas habitações. 32 Sábado de descanso solene vos será, e ]afligireis as vossas almas; aos nove dias do mês à tarde, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado.””

Todos os anos, surgem discussões sobre os dias santos bíblicos. Uma pergunta que merece consideração cuidadosa é esta:

Quando Deus ordenou ao Seu povo que observasse “o décimo dia do sétimo mês”, Ele também ordenou qual calendário deve ser sempre usado?

À primeira vista, muitas pessoas respondem: “É claro que Ele se referia ao calendário hebraico”. Mas é isso que a Bíblia realmente diz, ou é uma suposição baseada no contexto histórico?

Este artigo não tem a intenção de argumentar contra aqueles que observam as festas bíblicas de acordo com o calendário hebraico tradicional. Em vez disso, busca fazer uma pergunta simples, mas importante:

Estamos dizendo o que Deus disse, ou estamos dizendo mais do que Deus disse?

O Que a Bíblia Realmente Diz

Levítico 23:27-32 declara:

“Também aos dez dias deste sétimo mês haverá um dia de expiação…”

Observe o que o texto afirma explicitamente:

  • o décimo dia,
  • do sétimo mês.

Agora observe o que ele não afirma explicitamente:

  • o calendário hebraico,
  • o calendário judaico,
  • um calendário lunar,
  • um calendário solar,
  • ou qualquer sistema de calendário perpétuo que as gerações futuras devam usar.

Muitos leitores assumem imediatamente que o mandamento deve se referir ao calendário usado pelo antigo Israel. Historicamente, isso é compreensível porque o mandamento foi originalmente dado a Israel.

No entanto, o contexto histórico e o mandamento bíblico nem sempre são idênticos.

A Diferença Entre Contexto e Mandamento

Não há dúvida de que os israelitas entendiam os meses de acordo com a forma como contavam o tempo em sua época. Isso faz parte do cenário histórico de Levítico.

Mas a questão é diferente:

Deus fez desse calendário histórico em si parte do mandamento?

O texto nunca diz:

  • “De acordo com o calendário de Israel…”
  • “De acordo com a contagem lunar…”
  • “De acordo com o calendário atualmente usado entre vós…”

Essas palavras simplesmente não estão lá.

Se Deus pretendesse que cada geração futura usasse um calendário específico, independentemente de onde ou quando vivessem, Ele certamente teria a capacidade de dizê-lo.

Deus não está limitado pela história.

Ele conhecia cada geração que viria a existir.

Ele sabia que reinos surgiriam e cairiam.

Ele sabia que os calendários mudariam.

Ele sabia que as pessoas debateriam a cronologia.

Contudo, a Escritura registra apenas:

“O décimo dia do sétimo mês.”

Nada mais.

Um Deus Que Conhece Cada Geração

Deus é eterno.

Ele não é meramente o Deus de Israel nos dias de Moisés.

Ele é o Deus de cada geração.

Ele sabia, ao inspirar Levítico, que civilizações posteriores usariam diferentes métodos de contagem do tempo.

Ele também conhecia a profecia registrada em Daniel 7:25 sobre as tentativas de “mudar os tempos e a lei”.

Se o calendário preciso em si fosse essencial ao mandamento, não teria sido razoável que Deus o identificasse de forma inequívoca?

Em vez disso, Ele simplesmente deu a data.

Isso nos convida a perguntar se não deveríamos ter cuidado para não adicionar detalhes que a própria Escritura não adiciona.

Nossa posição baseia-se em várias proposições:

  1. Deus conhecia todas as gerações futuras e todos os sistemas de calendário quando inspirou a Escritura.
  2. Deus poderia ter especificado um calendário particular se pretendesse que um fosse obrigatório.
  3. Como Ele não especificou um, não devemos adicionar essa exigência por conta própria.
  4. Portanto, os crentes podem obedecer ao mandamento usando o calendário pelo qual atualmente contam o tempo onde vivem, desde que a observância seja sincera e com humildade.

Cuidado com as Suposições

Um dos maiores perigos na interpretação bíblica é permitir que suposições se tornem mandamentos.

Ao longo da história, as tradições religiosas por vezes ganharam autoridade igual — ou até superior — à própria Palavra escrita.

Jesus alertou repetidamente contra a substituição dos mandamentos de Deus por tradições humanas.

Da mesma forma, a Escritura nos adverte a não acrescentar à Palavra de Deus nem diminuir dela.

Portanto, sempre que afirmamos que Deus exige algo, devemos ser capazes de apontar onde Ele realmente o exige.

Uma Abordagem Hermenêutica Diferente

Nosso argumento levanta uma questão hermenêutica interessante: Se Deus pretendia que Seus mandamentos transcendessem as mudanças nos calendários civis, por que Ele não identificou explicitamente um padrão de calendário perpétuo?

Alguns crentes concluem que, como a Escritura não especifica um calendário perpétuo, a abordagem mais segura é obedecer ao mandamento de acordo com o calendário pelo qual atualmente contam o tempo.

Por exemplo, se o calendário civil reconhece hoje como o décimo dia do sétimo mês, eles observam esse dia com humildade perante Deus.

A ênfase não está em defender um calendário.

A ênfase está em obedecer à instrução de Deus sem adicionar requisitos que Ele próprio não expressou.

Quer se concorde com esta abordagem ou não, ela é internamente consistente:

  • Deus ordenou uma data.
  • Deus não especificou um calendário perpétuo.
  • Portanto, os crentes devem ser cautelosos ao especificar um em nome de Deus.

E Quanto ao 25 de Dezembro?

Este mesmo princípio explica por que muitos cristãos reconhecem que a Escritura nunca afirma que Jesus nasceu em 25 de dezembro.

As pessoas podem optar por comemorar o nascimento de Cristo nessa data como uma tradição da igreja, mas isso não deve ser apresentado como um mandamento bíblico, pois a Bíblia nunca fornece essa data.

A questão não é se as tradições podem existir.

A questão é se as tradições são apresentadas como se fossem as Escrituras.

Uma Conclusão Humilde

Esta discussão revela, em última análise, duas abordagens diferentes para interpretar as Escrituras.

Uma abordagem diz:

O contexto histórico determina qual calendário Deus pretendia.

A outra diz:

Como Deus não especificou um calendário perpétuo, não devemos reivindicar um como requisito divino.

Ambas as posições buscam honrar as Escrituras.

A diferença reside em onde o ônus da prova é colocado.

A primeira pede aos crentes que preservem o contexto histórico do calendário.

A segunda pede aos crentes que evitem adicionar requisitos que o próprio Deus não ordenou explicitamente.

Qualquer que seja a conclusão a que se chegue, um princípio deve unir a todos nós:

Devemos nos esforçar para distinguir cuidadosamente entre o que Deus disse claramente e o que inferimos do cenário histórico.

A obediência fiel começa com corações humildes que se recusam a alterar a Palavra de Deus — seja acrescentando a ela ou retirando dela. O que importa para Deus é a obediência à Sua palavra por um coração humilhado, o qual Ele valoriza mais do que o sacrifício.

Isso ecoa um tema bíblico consistente. Por exemplo:

  • “O obedecer é melhor do que o sacrificar” (1 Samuel 15:22).
  • “Misericórdia quero, e não sacrifício” (Oseias 6:6).
  • Jesus citou esse mesmo princípio em Mateus 9:13 e 12:7.

Quando a Escritura fala claramente, devemos obedecer.

Quando a Escritura silencia, devemos ter cuidado para não falar por Deus.

Essa postura de humildade é, em si, um ato de reverência Àquele que inspirou Sua Palavra.

O Décimo Dia do Sétimo Mês: Um dia de Sábado. Devemos Presumir Qual Calendário Deus Quis Dizer?

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